Já se pegou olhando para uma lista crescente de OKRs e sentindo que, apesar do movimento, sua empresa não sai do lugar? Vejo isso todo mês ao conversar com PME que rodaram dois ou três ciclos de OKR e agora vivem a dor de ter muitos objetivos, mas pouca sensação de estratégia real. O que era para dar direção virou mais uma lista de pendências. Todos ocupados – nenhum seguro de que os rumos estão certos. Neste artigo, conto o que aprendi sobre como transformar esse quadro, agrupando OKRs por temas ou eixos estratégicos, e mostro porque só assim a estratégia realmente sai do papel para virar clareza, ritmo e resultado.
A dor de muitos objetivos e pouca direção
É frequente encontrar líderes que começaram entusiasmados, mas hoje lidam com a “síndrome do OKR solto”: objetivos em excesso, cobrindo áreas demais, muitas vezes sem ligação entre si. O time sente que trabalha, mas as dúvidas surgem: estão todos alinhados? Há sobreposição de esforços? Está claro o que é prioridade? Essa confusão é sintoma clássico de falta de agrupamento por pilares orientadores. No fundo, é como navegar por instinto, sem bússola.
“A lista de objetivos cresceu, todo mundo está ocupado, e ninguém consegue dizer se a estratégia está coberta.”
O impacto desse desalinhamento aparece nos números. Segundo pesquisas que analisei, 74% dos colaboradores não enxergam claramente os objetivos estratégicos da empresa, enquanto 42% dos projetos atrasam mesmo com certa visibilidade. Ou seja, sem pilares para amarrar a execução ao que interessa, o esforço se dispersa e o resultado coletivo some.
A diferença entre ter muitos objetivos e ter uma estratégia
Gostaria de enfatizar um ponto simples e direto:
Ter uma lista grande de OKRs não é sinal de maturidade estratégica – muito pelo contrário.Se cada área ou pessoa criou objetivos independente dos outros, o resultado é fragmentação. Isso leva a uma falsa sensação de avanço, mas deixa a cobertura estratégica cheia de buracos. Estratégia existe quando os objetivos conversam entre si, têm um fio condutor e respondem à mesma lógica central do negócio. É aí que entra o conceito de eixo, tema ou pilar estratégico.
O que são temas ou pilares estratégicos?
Um tema estratégico funciona como “categoria-mãe”, um horizonte relevante que integra vários objetivos sob uma mesma direção. Vejo esses eixos como rótulos que agrupam objetivos correlatos e mostram, de forma simples, “por que” estamos fazendo o que fazemos. Chamam-se também de pilares, domínios, direcionadores, temas críticos – a essência é sempre a mesma: dividir a estratégia em poucas grandes frentes coesas, que orientam o planejamento e a execução.
Para mim, o agrupamento em pilares não é um capricho de método, mas uma forma concreta de conectar cada esforço do time ao que move o negócio de verdade. Simplifica, direciona e faz com que a estratégia saia da teoria e vire norte para as ações diárias.
Quantos pilares uma PME precisa para funcionar?
Em anos de atuação com pequenas e médias empresas, percebo quase uma lei não escrita: empresas desse porte ficam mais ágeis e alinhadas quando trabalham com três a cinco eixos estratégicos, e raramente precisam mais que isso. Passou desse número, vira sinal de que a empresa tentou colocar tudo como prioridade – e sabemos que, nesse cenário, nada é realmente prioridade.
Três a cinco temas são suficientes para cobrir todo o horizonte estratégico de uma PME, sem perder a objetividade ou cair na dispersão.Esse número traz foco sem engessar. Cada tema (“crescer receita recorrente”, “excelência operacional”, “inovação contínua”, “gente extraordinária”, “experiência do cliente”, por exemplo) serve de guarda-chuva para abrigar OKRs novos e revisar os atuais. Mantém a estratégia tangível, tanto para lideranças quanto para colaboradores de todos os níveis.

Evite copiar temas de livros: pilares vêm da realidade do seu negócio
Já vi muita PME cair na armadilha de usar frameworks prontos para definir pilares estratégicos (como usar “crescimento”, “pessoas”, “processos” só porque estava num manual). Minha experiência mostra que os temas têm que emergir da conversa sobre o que realmente move o negócio, suas dores e desafios atuais, e não uma lista impessoal de livro. Funcionam quando dialogam diretamente com o contexto competitivo da empresa, seus diferenciais, restrições e ambições claras.
Em meus trabalhos, costumo conduzir perguntas críticas, como:
- O que, se avançar este ano, muda o patamar da empresa?
- Que áreas não podem ser negligenciadas sob risco de retrocesso?
- O que está bloqueando o crescimento agora?
- O que não está medido e deveria estar?
“Os temas estratégicos são a bússola interna: conectam sonho, foco e execução.”
Ao identificar essas respostas, fica muito natural derivar três a cinco eixos reais, que não apenas fazem sentido no papel, mas que viram referência diária para as decisões.
Como agrupar objetivos existentes sem reiniciar o ciclo?
É comum ouvir de líderes: “Mas já rodamos dois ciclos, acumulamos OKRs soltos – preciso começar tudo do zero?” Minha resposta: não! O segredo está em usar o ciclo atual para organizar os objetivos já existentes sob as novas molduras dos temas que emergem da análise estratégica.
- Revise todos os objetivos da lista atual. Separe, em post-its ou planilha, deixando visível para o time.
- Defina, colaborativamente, os três a cinco grandes eixos que representam o que precisa ser coberto pela estratégia.
- Agrupe cada OKR sob o tema mais coerente. Se houver dúvidas, discuta em grupo para descobrir qual é a conexão mais forte.
- Veja se algum tema ficou sem objetivo, ou se algum objetivo não se encaixa em tema nenhum.
Não é preciso parar tudo e começar outra vez – basta que a equipe enxergue como os objetivos podem ser relidos à luz dos novos pilares, realocando-os quando necessário e eliminando excessos ou lacunas.
O teste da cobertura: todo tema tem objetivo, todo objetivo tem tema?
Depois de feita essa redistribuição, uso sempre um exercício que batizei de “teste da cobertura”. Consiste em checar, item a item:
- Cada tema estratégico tem pelo menos um objetivo concreto ligado a ele?
- Cada objetivo já existente responde com clareza a um dos temas escolhidos?
- Algum objetivo ficou órfão, sem encaixe em tema algum? Algum tema ficou sem OKR associado?
“O objetivo que não cabe em nenhum tema é, muitas vezes, o achado mais revelador de toda a revisão.”
Se algum objetivo não encontra morada, ele tende a ser um esforço lateral, legado de ciclos anteriores ou reflexo de demandas não estratégicas. Ao tê-los explícitos, a diretoria ganha clareza rara: pode decidir se mantém, adapta ou abandona, sem culpa ou improviso.
O que fazer com OKRs sem encaixe em tema estratégico
Considero esse momento um dos mais ricos do processo. Objetivos órfãos merecem atenção especial. Eles podem indicar:
- Solicitações antigas que perderam sentido
- Demandas individuais legítimas, mas que não são prioridades organizacionais
- Tarefas operacionais disfarçadas como objetivos estratégicos
- Lacunas na definição dos temas (talvez seja preciso ajustar algum eixo)

Como a reunião de diretoria muda com OKRs agrupados por tema
Uma das mudanças mais marcantes que presenciei ao agrupar OKRs por temas é a melhora das reuniões do time executivo. Saem discussões intermináveis sobre pontos soltos e entram diálogos mais direcionados:
- Fica claro onde estão os avanços e os gargalos de cada pilar
- A revisão do ciclo anterior ganha sentido, pois conecta causa e efeito entre áreas diferentes
- As discussões sobre recursos, prioridades e conflitos se baseiam nos grandes eixos, não em vontades individuais
O próprio processo de prestação de contas melhora, já que cada líder se compromete, não apenas com seu objetivo isolado, mas com a entrega de valor naquele tema. E os desdobramentos para KRs e tarefas ficam muito mais fáceis de acompanhar, especialmente quando se tem um sistema como o StayAlign para guiar o engajamento e a clareza do fluxo de execução.
Erros comuns na hora de criar e agrupar temas e OKRs
Percebo alguns tropeços recorrentes ao apoiar PMEs nesse trabalho de revisão estratégica:
- Seguir modelos prontos sem adaptar para a própria realidade
- Colocar temas demais, tornando-os tão genéricos que perdem poder de foco
- Manter objetivos antigos por apego, mesmo quando não servem mais
- “Forçar” encaixes de OKRs só para não jogar nada fora
- Delegar os temas só para o topo, esquecendo de envolver equipes que estão na linha de frente do negócio
Meu conselho sempre é: respeite a identidade do negócio. Temas só funcionam se estiverem enraizados na cultura e realidade da empresa – caso contrário, viram “moda de método”, sem efeito prático.
Como pilares estratégicos e OKRs mudam o jogo da execução
Não é à toa que pesquisas na Revista de Administração da USP relacionam o alinhamento dos objetivos estratégicos à maior capacidade de inovação nas PMEs. Organizar OKRs por temas responde a essa demanda, porque permite, inclusive, integrar aprendizado e execução, reciclando lições do ciclo anterior a partir dos eixos estratégicos e trazendo mais engajamento, clareza de responsabilidades e previsibilidade no atingimento das metas.
O sistema StayAlign contribui, integrando sugestões inteligentes com IA, garantindo que os objetivos passem por filtros de conexão estratégica antes de fazerem parte do plano. O resultado, como notei em clientes, é redução de até 40% nas reuniões de alinhamento e aumento expressivo nos índices de engajamento e foco do time.

Essa abordagem encontra respaldo também em estudos sobre alinhamento entre tecnologia e negócios, como aponta a pesquisa da FGV EAESP e o artigo do Journal of Information Systems and Technology Management, que mostram que estratégia clara e integração de esforços são determinantes para performance organizacional e aceleração digital. Temas bem definidos permitem que áreas diferentes remem juntas, reduzam silos e tomem decisões convergentes.
Com o agrupamento inteligente dos objetivos e orientação clara dos eixos estratégicos, temas complexos como tecnologia, operações, inovação, finanças ou experiência do cliente finalmente ganham protagonismo no ciclo OKR, eliminando discussões dispersas e trazendo ritmo disciplinado na execução.
Caso queira conhecer métodos práticos de implementação dos OKRs com agrupamento temático para seu negócio, recomendo as leituras sobre OKRs e metas e também o guia de definição de metas inteligentes.
Conclusão
Na minha experiência, agrupar OKRs por pilares temáticos é o divisor de águas entre operar por tarefas soltas e conduzir um time a entregas realmente estratégicas, sustentáveis e previsíveis. Apostar nesse método trouxe ganhos muito além da produtividade: trouxe alinhamento de cultura, clareza de destino e senso de missão entre áreas e pessoas diferentes. Quando o StayAlign apoia esse processo, tudo flui ainda melhor – pela simplicidade prática, inovação e estímulo à reflexão estratégica contínua.
Desafio você, gestor ou gestora de PME: qual objetivo da sua lista atual não cabe em nenhum dos seus eixos estratégicos? O que isso revela sobre sua estratégia?Se faz sentido aprofundar essa discussão ou experimentar novas formas de conectar estratégia e execução no seu negócio, convido a conhecer o StayAlign e ver como podemos, juntos, transformar objetivos soltos em resultados reais, com ritmo e engajamento.
Perguntas frequentes sobre pilares estratégicos e agrupamento de OKRs
O que são pilares estratégicos?
Pilares estratégicos são grandes áreas ou temas que estruturam a estratégia de uma empresa. Eles funcionam como diretrizes que agrupam objetivos (OKRs) sob frentes prioritárias, garantindo que todos trabalhem em direção às mesmas metas amplas, reduzindo sobreposição de esforços e aumentando a clareza organizacional.
Como definir os pilares estratégicos de uma empresa?
Na prática, defino pilares estratégicos partindo do contexto único de cada empresa – mapeando desafios atuais e olhando para onde se quer chegar. Costumo conduzir conversas com lideranças para identificar entre três e cinco grandes temas que, se avançarem, mudam o patamar do negócio. Não recomendo copiar modelos prontos; pilares devem nascer da realidade do negócio.
Por que organizar OKRs por temas estratégicos?
Organizar OKRs por temas estratégicos garante alinhamento e evita esforços dispersos. Isso facilita identificar prioridades, guia discussões de diretoria, reduz retrabalho e aumenta a visibilidade dos avanços. Também fortalece cultura, senso de missão e acelera ajustes nos ciclos de revisão, como mostra pesquisa sobre impacto da aprendizagem estratégica nas PMEs (Revista de Administração da USP).
Quais são exemplos de pilares estratégicos?
Exemplos comuns incluem: “crescimento de vendas recorrentes”, “agilidade operacional”, “inovação”, “desenvolvimento de pessoas”, “experiência do cliente”, “transformação digital” e “sustentabilidade financeira”. O importante é que cada tema reflita algo absolutamente relevante para a realidade e os desafios da empresa em questão.
Como alinhar OKRs aos pilares estratégicos?
Envolvo times na revisão dos OKRs existentes, distribuindo cada objetivo sob o pilar estratégico mais coerente. Realizo, depois, o “teste da cobertura”, conferindo se cada tema está com foco e cada objetivo, com sentido dentro desses temas. O alinhamento é contínuo, com check-ins rápidos (como sugere a metodologia do StayAlign) para manter engajamento e conexão aos direcionadores do negócio.
